O que aprendi aplicando provas online

Recentemente, passei a utilizar com meus estudantes do ensino médio o Edmodo. Trata-se de um ambiente virtual de aprendizagem (AVA), gratuito e parcialmente traduzido para o português, que permite uma interação maior entre professor e alunos. Bastante utilizado em cursos online e ensino a distância, poderia ser entendido como uma rede social escolar. Inclusive, emula com eficácia uma certa rede social utilizada pela grande família brasileira. O professor cria turmas, cadastrando nelas seus alunos, e estes passam a compartilhar conteúdos entre si e com o professor. Estivemos utilizando para envio de tarefas, resumos de aulas, apresentações de slides, videoaulas e outros complementos.

Dentre essa série de recursos, dois foram bastante testados por nós: o já mencionado envio de tarefas e o quiz, ou teste. Este último permite ao professor criar uma espécie de questionário, com o número de questões que for desejado, e com questões nas mais variadas formas: pergunta de verdadeiro/falso, questão de resposta aberta, questão de múltipla escolha, correspondência de colunas ou questão com preenchimento de lacunas. Além disso, o professor pode estipular um tempo limite para a realização do questionário, bem como uma data de vencimento, a partir da qual o prazo expira, podendo impossibilitar a realização da atividade.

Testamos o questionário em algumas ocasiões específicas, inicialmente para que os alunos pudessem se familiarizar com a ferramenta. Nos testes iniciais, identificamos também alguns problemas, que foram relatados pelos alunos. O primeiro gargalo, que se mostrou um fator importantíssimo, como destacaremos mais adiante: diferentemente de outros recursos do Edmodo, o quiz não podia ser respondido através do aplicativo de smartphone; o aluno precisaria acessar sua conta através de um computador, utilizando a versão web do sistema. Outra dificuldade experimentada pelos alunos era referente à duração do teste; em muitos casos, ao fechar a aba na qual estava sendo realizado o questionário para tentar retornar mais tarde, este era enviado e encerrado, impossibilitando o aluno de responder às questões restantes.

Essa série de testes tinha um objetivo bastante específico; eu queria obter o maior feedback possível para implementar uma ideia surgida logo no início do projeto: fazer uma avaliação oficial da escola (no caso a avaliação bimestral do 2° bimestre de 2016) através do Edmodo. Em outras palavras: “agora vale nota”. Para evitar possíveis problemas tecnológicos por parte de alguns alunos, resolvi dividir a avaliação em duas partes: a primeira, online, feita pelo aluno através do AVA, no conforto do lar, durante um final de semana. Esta serviria, inclusive, como verificação de estudos para a segunda parte, presencial, feita em sala de aula, nos moldes convencionais. Aqueles alunos que, por um motivo ou outro, não puderam realizar a primeira parte, fizeram só a “prova normal” na sala de aula. A partir dessa experiência, pude extrair algumas informações e gostaria de compartilhar as conclusões a que cheguei. Algumas já eram bastante esperadas. Outras, nem tanto. Vamos a elas!

Conclusões mais óbvias e já esperadas

Deveres e benefícios: a maior parte dos alunos só vai realizar uma atividade se ela for obrigatória, ou seja, “valendo nota”

Esta é, sem sombra de dúvidas, a conclusão mais óbvia de todas, já sendo sabida de antemão, antes mesmo dos primeiros testes com os questionários. De fato, acredito que antes mesmo do meu cérebro VERBALIZAR mentalmente eu quero fazer uma prova online pelo Edmodo!, meu secretário imaginário deixou um recado embaixo das portas da percepção: eles só vão fazer para valer quando você disser que envolve nota.

[full_image url=”http://www.pedrobittencourt.com.br/wp-content/uploads/2016/08/people-woman-coffee-meeting.jpg” caption=”Essa lista de exercícios tá complicada né galera”]

De fato, isso não é novidade. Tampouco culpa dos alunos. Ou do professor. Quiçá da escola. Me arrisco a dizer que se trata de um reflexo do sistema escolar, datado dos longínquos tempos da revolução industrial. Preso nessa estrutura engessada, na qual muitas vezes é obrigado a desempenhar tarefas que não são de seu interesse, sem objetivos aparentes e sem uma conotação de aplicação real, o aluno se acostumou, desde a mais tenra infância, a cumprir com aquilo que lhe é esperado. Costumo dizer que a escola geralmente diz “ess@ aqui é ótim@ alun@!” para aqueles que aprenderam a jogar o jogo. São alunos e alunas que tiram notas boas porque entenderam a dinâmica do sistema, sabem o que é necessário fazer e o fazem de fato. Não são necessariamente os mais inteligentes. Podem até ser os mais “dedicados” (e a isto devemos dedicar grandes aspas). Mas, apesar de nem sempre gostarem daquilo, sabem que são obrigados a fazê-lo.

“O professor acha que eu não tenho mais nada pra fazer” — ESTUDANTE

Deste modo, mesmo nas situações em que identifica algo de interessante, algo novo e inesperado, o ímpeto do estudante em realizar atividades escolares é baixo. Se aquilo não vale nota, para que perder meu tempo?, o aluno pode pensar. Novamente, não é uma questão de má-fé ou desonestidade acadêmica; o aluno tem outras coisas “importantes de verdade” para fazer. Isto é, tem aquele trabalho de história que o professor pediu na semana passada, o capítulo do TCC pra entregar na próxima aula, a lista de exercícios de química, e por aí vai. Assim, as “atividades de mentirinha” ficam em segundo (ou terceiro, ou quarto, ou sétimo) plano.

Procrastinação e prazos: a gente costuma deixar tudo para a última hora

Aqui é importante deixar claro: “a gente” procrastina, porque isso se aplica a seres humanos em geral – o aluno, a professora, o pai, a vendedora, o empresário, a administradora. No caso de estudantes — em qualquer nível de ensino — isto se torna mais evidente. A grande quantidade de tarefas nos faz acumular atividades, deixando suas entregas próximas ao prazo final. A gente sabe que tem datas a cumprir e mesmo os mais organizados costumam se perder em determinadas ocasiões. Porém, quando se trata de estudantes do ensino médio, é notório o ato do “deixar para a última hora”. Quem tem filhos nessa faixa etária pode perceber a quantidade de noites de domingo utilizadas para fazer aquela tarefa passada na sexta-feira, imprimindo o trabalho de literatura solicitado há duas semanas, berrando com o modem de internet porque precisa baixar o pdf publicado pelo professor de sociologia no grupo da sala no facebook.

Em nosso caso da avaliação online, pude verificar o massivo número de alunos enviando suas respostas no último dia, próximo às horas finais. Havia estipulado um prazo que se estendia de sexta-feira, às 16:00, até a próxima segunda-feira, também às 16:00. Isto porque, no âmago de meu ser, tinha a plena convicção de que chegaria para a aula, na manhã de segunda-feira, e travaria com pelo menos 1 aluno de cada sala um diálogo semelhante ao seguinte:

— Ei, professor!
— Pois não?
— Ainda dá tempo de fazer aquela provinha lá do Edmodo?
— Sim, o prazo se encerra hoje, às quatro da tarde.
— Ah, suave então, dá tempo sossegado! Valeu, fessô.

Suave. Dá tempo sossegado.

Mudança de paradigmas e zona de conforto: nem todos os alunos gostam de avaliação online

[full_image url=”http://www.pedrobittencourt.com.br/wp-content/uploads/2016/08/pexels-photo.jpg” caption=”Esse professor acha que eu tenho o dia todo livre pra fazer essas provinhas online”]

Mencionamos anteriormente os alunos que são bons jogadores, adaptados às regras do sistema escolar. Mesmo não curtindo muito a escola, têm o pleno entendimento de seus deveres: prestar atenção na aula, copiar aquilo que o professor escreve na lousa, fazer exercícios de sala, realizar a tarefa de casa, frequentar periodicamente o plantão de dúvidas, entregar a lista de exercícios, estudar para a prova na véspera ou poucos dias antes, fazer a prova em sala de aula. Estabelece-se, assim, a zona de conforto do estudante. Elementos que fujam dessa rotina costumam ser encarados com enfadonho e mal humor, porque demandam um gasto energético não programado pelo aluno e sem um roteiro bem delimitado de execução.

Pude observar algo semelhante em certos alunos. Alguns deram a justificativa de não gostar de testes online. Outros manifestaram não terem aquela proficiência com “coisas da internet”. Muitos perguntaram se não era possível eu entregar uma lista impressa, com as mesmas perguntas, para serem respondidas em folhas de papel, mesmo. Em todas essas ocasiões argumentei o mesmo: não, a primeira parte somente poderia ser respondida online, pelo AVA, sem exceções. Tentei mostrar para o aluno que este tipo de procedimento vem sendo utilizado cada vez mais, em um número maior de escolas do ensino médio e, não obstante, tem marcado grande presença no ensino superior, com disciplinas parcial ou totalmente online. Também argumentei que tudo na vida escolar pode ser uma espécie de aprendizado. Estou com dificuldades em utilizar uma ferramenta nova? Faz parte do processo. Estou levando mais tempo do que os outros para dominar essa ferramenta? É normal. Não sei exatamente como se faz algo? Pesquiso aquilo. Tentei fazer e deu errado? Está tudo bem, faz parte do processo.

Acho interessante pontuar como isto está muito relacionado com a cultura do erro, ou a falta dela. É muito difícil, para qualquer ser humano, encarar o erro como algo positivo; associamos o erro com o fracasso. Mais do que isso: ignoramos aquele erro, não refletimos sobre o que aconteceu e quais as possibilidades de por quê aconteceu. Errar é ruim, errar abaixa a nota, errar significa dizer que sou burro. Mas isso é assunto para outra pauta.

Conclusões menos óbvias porém entendíveis

O gargalo do dispositivo: nem todos os alunos sabem utilizar direito o computador

É bastante interessante notar que nossos alunos são da geração “aplicativos para smartphone”. Mandam bem no quesito redes sociais, geralmente focados em compartilhar suas vidas através de fotos e vídeos. Um exemplo claro disso é o fato do snapchat ser um divisor de águas entre adolescentes e gente velha; se você tentou surfar nessa onda e não entendeu o que estava acontecendo: você está oficialmente velho, meu amigo – e nem tente disfarçar com suas fotos descoladas no churras da firma porque todo mundo ali também está mais perto da senilidade do que da malandragem. Agora você entende sua mãe na década de 90 te pedindo ajuda para usar um mouse.

Entretanto, quando se trata de usar o computador, seja um desktop ou um notebook, a coisa muda drasticamente. Frequentemente verifico o “assombro” que meus alunos sentem ao me ver inserindo referências cruzadas num editor de texto. Ou aplicando formatação condicional numa planilha de dados. Ou utilizando atalhos de teclado num navegador web. Ou qualquer outra coisa que envolva mais do que duas etapas para ser concluída (isso também pode ser aplicado à metodologia de resolução de problemas de matemática, física ou química, o que não é nem um pouco surpreendente). Obviamente existem aqueles alunos que possuem bastante facilidade com computação, principalmente gráfica, orientada a edição de vídeos, imagens e programação de games. Mas acredito que sejam uma minoria.

Recebi, ao longo do final de semana da realização da prova, diversos pedidos de “socorro”: alunos que se perderam no teste e enviaram-no incompleto; alunos que não sabiam “onde clicar” para começar a prova, ou para terminá-la; alunos com dificuldades gerais de navegação no sistema, entre outros. Ao final do processo, já em sala de aula, alguns relataram suas experiências pessoais nessa primeira realização de provas online. Mesmo dentro daqueles que apreciaram a atividade, uma boa parcela manifestou algo que poderia ser resumido em: quase nunca uso o computador, só para os trabalhos escolares. Apesar de não ser totalmente surpreendente, não me era evidente, tampouco. Sou de uma geração —spoiler de velho adiante— que utilizou, e ainda utiliza muito, o computador para entretenimento, pesquisa, lazer, contatos sociais. Claro que esses hábitos vêm mudando com o passar dos anos e, progressivamente, substituo tarefas anteriormente feitas no computador pelo celular. Porém, ainda hoje em dia me sinto mais confortável trabalhando no meu notebook do que no tablet, por exemplo. O que difere totalmente de meus alunos.

Fico mais velho a cada caractere digitado.

Indiferença perante a ferramenta: no final das contas, não importa o processo – o resultado é praticamente o mesmo

Incluo essa conclusão como menos óbvia, porém ainda fico bastante em dúvida quanto à sua previsibilidade. Mesmo pesquisando trabalhos acadêmicos da área sobre ambientes virtuais de aprendizagem, aulas invertidas e utilização das TIC (tecnologias da informação e comunicação) no ensino, e já sabendo de antemão os possíveis resultados, foi intrigante constatar: para a grande maioria dos alunos, essa “nova ferramenta” não representou, necessariamente, uma melhoria significativa em sua aprendizagem. Dizendo de modo grosseiro – e errôneo do ponto de vista pedagógico: as notas não foram melhores.

E essa é, ao meu ver, a conclusão mais difícil de ser explicada, pois corro o risco de ofender muitos pesquisadores do ensino de ciências. Já peço perdão, de antemão, pelo vacilo. Ainda assim, tentarei explicar melhor o que entendo por isso tudo.

Aprendizagem versus nota

Primeiramente, não podemos confundir aprendizagem com nota. Uma coisa não está necessariamente relacionada com a outra. De fato, o que mais se observa é que não existe muita correlação entre ambas. Infelizmente, o que as notas menos medem é o quanto o aluno aprendeu. Costumam indicar, com frequência:

  • O esforço do aluno. Alunos esforçados, que entregam as atividades no prazo e de forma parcial ou totalmente completas, que participam ativamente do cotidiano escolar e que “correm atrás” (uma expressão que eu acho triste e horrível, porém utilizo mais do que gostaria) costumam ter notas maiores, seja por simplesmente cumprirem com suas obrigações, seja pela bonificação concedida por alguns professores.
  • Brechas no sistema. Alunos que, não por leviandade, mas sim por oportunidade, sabem se aproveitar das falhas que o sistema apresenta. Aqui estou incluindo cópia de tarefas e listas de exercícios; cola nas provas; trabalhos escolares plagiados da internet; troca de informações durante as aulas através de fotos enviadas pelo whatsapp, et coetera. Vale repetir: não podemos atribuir integralmente a culpa aos alunos. Eles estão simplesmente utilizando uma brecha que o sistema escolar apresentou. Como mencionamos anteriormente: existe muita coisa para ser feita e, quanto menos tempo for preciso, melhor. Evidentemente, não existe “justiça” nessas situações. Muitos alunos se queixam de jogar segundo as regras e terem uma nota final menor do que aqueles que “trapacearam”. É injusto!, ouço-os dizendo. Eu concordo. Mas o professor nem sempre sabe o que fazer. Quando tem uma ideia, não consegue colocá-la em prática. E quando consegue, nem sempre dá certo. Costumo dizer para meus alunos que, se eu soubesse exatamente o que fazer, seria Ministro da Educação do Mundo e receberia um Nobel da “paz econômica educacional”. Provavelmente eu seria um novo messias e uma religião seria fundada em meu nome. Mas, novamente, essa é uma outra pauta, muito longa, sobre a qual pretendo discorrer em outro momento.
  • Anomalias educacionais e maquiagens institucionais. Esse é um ponto muito delicado e bastante controverso. Infelizmente, é também verdadeiro e entristecedor. Em alguns casos e em muitas escolas nas quais trabalhei, o corpo docente é às vezes obrigado a “dar notas” para os alunos, utilizando-se de diversos procedimentos: um trabalho diferenciado aqui, uma excursão acolá, um evento cultural desconectado da disciplina mencionada, uma prova de recuperação. Pode-se chegar a casos extremos de instâncias superiores ao professor (coordenação, direção, reitoria, etc) alterarem autoritariamente notas de um ou outro aluno. Felizmente eles são raros; vi pouquíssimas vezes isso acontecendo com colegas de trabalho e nunca foram bem recebidos pelo professor. As justificativas para tais maquiagens são variadas, algumas bem intencionadas e outras nem tanto. No primeiro grupo, pode-se argumentar que o aluno não teve boa nota pois não aprendeu aquilo que lhe foi ensinado e é preciso fornecer-lhe uma nova oportunidade — perfeitamente compreensível. Como exemplo do segundo grupo temos uma justificativa financeira: muitos alunos com notas ruins poderiam contribuir para uma alta evasão escolar, o que diminuiria drasticamente o fluxo de caixa da escola (tratando-se, evidentemente, de uma instituição particular) — compreensível, porém minimamente controverso.

Assim, dizer que alunos com boas notas aprenderam, enquanto que os de baixo rendimento não aprenderam é falso. E todo professor sabe disso. A aprendizagem é uma caixa de surpresas. Não dá para simplesmente entrar na cabeça do aluno e ver o que tem ali dentro. Se assim o fosse, acho que o professor teria pouca utilidade no mundo

A novidade, por si só, é insuficiente

Em um bom grupo de alunos, observou-se que apesar de não ter havido — do ponto de vista estatístico — um aumento quantitativo das médias bimestrais, pôde-se notar uma melhoria qualitativa da relação destes alunos com o estudo da disciplina. Pode-se dizer que eles se sentiram mais motivados a trocar experiências sobre os assuntos desenvolvidos em sala de aula. Acredito que isto se explique, essencialmente, com as facilidades que a ferramenta tecnológica traz, principalmente no feedback rápido obtido pelos alunos após a realização de atividades e na maior interação com o professor, em qualquer momento do dia, não estando preso aos horários e locais da sala de aula.

Contudo, não posso me prender somente a isto, acreditando que uma nova ferramenta seja aquele elixir salvador, motivacional, perpétuo. De fato, do ponto de vista lógico, seria até incongruente pensar assim; afinal, uma novidade dura pouco tempo, deixando de ser novo logo mais. Assim, seria uma tarefa inglória para o professor basear seu ensino na aplicação de novos pacotes — eu passaria mais tempo pensando no que fazer do que, de fato, fazendo (se bem que não é muito diferente do que se faz hoje em dia).

Assim, apesar da mudança ser boa, ser necessária e, gradualmente, poder representar novos avanços na aprendizagem, ela não é um fim em si mesma. Ela é um passo, de vários. E, mais do que isso, ela não vai representar uma quebra de paradigmas em sua primeira aplicação. Pode demorar um bom tempo para “dar certo”, seja lá o que isso for. E, às vezes, pode não resultar em nada. Saber reconhecer isto é um exercício diário do professor — e, para mim, um constante esforço terapêutico como ser humano.

Conclusões que, espero, meus alunos tenham chegado – ou possam vir a chegar, num futuro próximo

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Ao longo de toda essa experiência, acredito que meus alunos também tenham chegado a novas conclusões sobre o processo como um todo, mesmo que de modo não verbalizado. Aqueles que por ventura não tenham se apercebido delas, gostaria de compartilhar essas ideias, não somente para “evangelizar” a boa nova, mas também para que eles possam me mostrar outros pontos que deixei passarem em branco.

Primeiramente, como já mencionei ao longo do texto, é cada vez mais frequente a presença de disciplinas online em cursos de ensino superior. Mesmo que não seja objetivo do ensino médio ficar preparando o aluno para uma etapa subsequente, é também um de seus papéis; preparar o aluno para as situações que este vivenciará na universidade é salutar e um dos indicadores de um bom ensino.

Outro ponto, que foi inclusive observado e compartilhado pelos alunos, se refere às facilidades que a tecnologia pode trazer para a sala de aula. Mesmo que a curva de aprendizagem de algumas ferramentas e aplicativos não seja das mais animadoras num primeiro instante, após um relativo esforço o aluno passa a ser beneficiado pelos diferenciais que aquela tecnologia lhe propicia. Ademais, em um mundo conectado como o nosso, onde real e virtual se fundem de modo a borrar fronteiras, soa estranho separar a escola deste universo. De fato, não é uma tarefa simples e direta, como comentamos brevemente. Utilizar ferramentas novas a partir de um pensamento velho não faz o menor sentido; mudam-se as formas, mantém-se as estruturas. Precisamos, sim, adequar o ensino às necessidades contemporâneas da sociedade. A tecnologia pode ser uma boa aliada nesse processo.

Por fim, e isto me parece o essencial: o aluno precisa aprender a aprender. É preciso pesquisar as coisas e saber como elas funcionam. Se embrenhar no universo do desconhecido, perguntar, fuçar, cutucar. Um dos papeis do professor é ser mediador desse processo, estar ali para apontar caminhos, sugerir soluções. E um dos papeis do aluno é se aperceber desse processo. Ainda hoje em dia, justamente pelo processo de escolarização, o aluno tornou-se passivo, à espera da iluminação providenciada pelo professor. O professor tornou-se acomodado, preso ao conforto que as estruturas prontas lhe dão. Não acredito que seja a melhor maneira. Porém, já dissemos isso: as coisas não vão mudar assim, de um dia para o outro. Precisamos dar um passo por vez. E continuar tentando. Porque a mudança nunca se faz sozinha.